Próximo QCA implica aposta muito grande no digital ;

Nuno Mangas, presidente do IAPMEI, considera
Próximo QCA implica aposta muito grande no digital
“No IAPMEI a aposta no digital é um caminho que queremos percorrer de braço dado com as empresas portuguesas”, afirma Nuno Mangas.
O próximo Quadro Comunitário de Apoio “implicará uma aposta muito grande na indústria 4.0 e na transformação digital das empresas”, afirma à “Vida Económica” Nuno Mangas, presidente do IAPMEI.
A aplicação móvel IAPMEI+ vai permitir às empresas acompanharem a execução dos projetos aprovados por smartphone. Mas este é apenas o primeiro passo da aplicação das tecnologias digitais na gestão dos fundos, “nomeadamente na área da Inteligência Artificial, onde queremos desenvolver sistemas de apoio que ajudem as empresas e o IAPMEI a gerir os projetos de forma mais simples e célere”, acrescenta Nuno Mangas.
 
Vide Económica  – Acha que com a app do IAPMEI entraremos numa nova fase de aproximação entre as empresas e o IAPMEI? Em que aspetos?
Nuno Mangas - Esta aplicação móvel vem traduzir uma nova fase de aposta em instrumentos eletrónicos para aumentar a proximidade às empresas, facilitando o contacto e apoiando na condução dos projetos de investimento. 
A App resulta de um trabalho de fundo iniciado em 2016 que visou criar ferramentas para assistir as empresas na gestão dos seus projetos, com o objetivo de reduzir a elevada taxa de sinistralidade verificada no QREN. Essas ferramentas passaram pela realização de ações de sensibilização e pela criação de conteúdos digitais através de guias e vídeos, assinalando os principais aspetos a acautelar na gestão de um projeto do Portugal 2020.
 
VE – Acredita que, com esta ferramenta tecnológica, a burocracia – um dos principais “custos de contexto”, para as empresas portuguesas, nomeadamente micro e pequenas empresas – dos processos de candidatura aos fundos europeus irá ser fortemente reduzida?
NM - Como referido, o objetivo principal da App é, no essencial, descodificar e tornar os requisitos a cumprir mais transparentes, facilitando o seu cumprimento. Paralelamente, com vista à redução da burocracia no próximo quadro Comunitário de Apoio, está a ser desenvolvida uma consulta pública junto das empresas para obter propostas e sugestões que ajudem o IAPMEI a atuar a este nível junto das entidades gestoras dos fundos.
 
VE – Quais irão ser os ganhos efetivos?
NM - A aplicação IAPMEI+ permite descodificar obrigações a cumprir. Por exemplo, quando uma empresa recebe um adiantamento contra faturas, tem um prazo de 30 dias uteis para apresentar a comprovação do pagamento das faturas ao fornecedor. A App, estando sincronizada com o smartphone do responsável do projeto, vai agendar essa data e lançar um alertar em tempo útil para que a empresa não falhe esse prazo e não tenha de devolver incentivos adiantados. Permite também que qualquer dúvida que surja possa ser colocada diretamente ao gestor do projeto no IAPMEI de forma transparente obtendo resposta igualmente no smartphone.
 
VE – De que forma os novos procedimentos se poderão refletir, por exemplo, nos tempos de análise, decisão e aprovação de candidaturas, assim como nos pagamentos dos incentivos aprovados?
NM - Importa clarificar que a App IAPMEI+ é focada na gestão de projetos aprovados e não nos processos de candidatura. O ganho proporcionado é principalmente na redução de incidentes com os projetos, que permitirá que os técnicos do IAPMEI se concentrem na validação e concretização dos pagamentos, perdendo menos tempo a resolver situações de incumprimento.
 
VE – Sendo normalmente os projetos de candidatura geridos por consultoras de fundos, o “diálogo” entre estas e o IAPMEI irá ser reduzido e passar a ser feito mais diretamente entre promotores/empresários e IAPMEI ou continuarão a ter o seu espaço próprio?
NM - A App não tem como objetivo limitar ou reduzir a atuação dos consultores. A empresa passa a ter uma forma simples de obter informação do projeto, podendo o acesso via App ser efetuado por ambos, empresa e consultor. As empresas decidirão a necessidade de participação de consultores em função do valor acrescentado que estes forem capazes de trazer à gestão dos processos.
 
VE – Esta nova forma de trabalhar assente em plataformas tecnológicas obriga também o IAPMEI a ajustar os seus recursos internos?
NM - O IAPMEI já trabalha desde 2007 em sistemas desmaterializados com processos de gestão eletrónica em “workflow”, permitindo que os colaboradores que tem distribuídos pelo país trabalhem todos da mesma forma.
A introdução e evolução da plataforma tecnológica do IAPMEI tem permitido obter ganho significativos de eficiência num contexto de menos recursos humanos disponíveis. Só dessa forma foi possível aumentar o desempenho com menos recursos, por exemplo; a taxa de execução do Portugal 2020 até dezembro de 2018 era de 54,8% dos fundos aprovados quando em período homologo no QREN era de 50%. No entanto, este desempenho é ainda maior se virmos os dados absolutos. 
 
VE – Com o Portugal 2020 a aproximar-se do fim, que balanço faz da sua execução e, em particular, da atuação do IAPMEI? Está a corresponder às expetativas iniciais?
NM - A execução do Portugal 2020 tem tido um nível bastante elevado no que respeita às empresas. No QREN, o IAPMEI tinha uma execução de 422 milhões de euros de incentivos pagos e no Portugal 2020, no mesmo período, o IAPMEI pagou 1272 milhões de euros, ou seja, mais 840 MJ colocados nas empresas associados a investimentos em I&D, Inovação e Qualificação. 
A procura e a execução têm superado todas as expetativas, e o IAPMEI procurado responder de forma mais eficiente tendo em consideração os seus recursos.
 
VE – A finalizar, quais são as expetativas para o próximo QCA? Esta app pode, de facto, ser o início de uma nova era?
NM - O próximo quadro implicará uma aposta muito grande na indústria 4.0 e na transformação digital das empresas. No IAPMEI a aposta no digital é um caminho que queremos percorrer de braço dado com as empresas portuguesas. Não ficaremos certamente pela App, pois o IAPMEI já está envolvido em projetos de I&D nacionais e internacionais que visam aprofundar a aplicação das tecnologias digitais na gestão dos fundos, nomeadamente na área da Inteligência Artificial, onde queremos desenvolver sistemas de apoio que ajudem as empresas e o IAPMEI a gerir os projetos de forma mais simples e célere. 
VIRGÍLIO FERREIRA virgilio@vidaeconomica.pt, 06/06/2019
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