A descarbonização, a mobilidade e os veículos elétricos na atividade de rent-a-car
Joaquim Robalo de Almeida
Secretário-Geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor
Secretário-Geral da ARAC – Associação dos Industriais de Aluguer de Automóveis sem Condutor
Na atividade de rent-a-car (setor que é desde o início do século XX uma mostra dos novos veículos de marcas e modelos que fazem as suas estreias, e que por via desta atividade, o público pode experimentar as últimas novidades do mundo automóvel), a frota de veículos elétricos é atualmente de cerca duas centenas de viaturas, embora com tendência para aumentar nos próximos anos a um ritmo diferente do que aconteceu nos últimos seis anos, perspetivando-se que nos próximos 10 anos a frota de rent-a-car possa integrar cerca de 10 a 15% do seu total (valores provisórios).
Estes números estão dependentes de três fatores essenciais para o incremento de veículos elétricos:
1- Autonomia dos veículos
2- Número de postos de carregamento
3- Tempo de carregamento do veículo (atualmente cerca de 45 minutos para uma carga de 70% da bateria do veículo).
É, no entanto, muito importante para o cliente de rent-a-car, que aluga um veículo para deslocações imediatas, que o sistema de mobilidade que está a utilizar não comporte as limitações acima referidas. Por exemplo para um turista que pretende visitar vários locais do nosso país e está limitado a um período de permanência no país, não poderá estar limitado de forma drástica no que respeita ao abastecimento/carregamento do veículo, caso contrário o referido turista passará o tempo a “carregar” o veículo em vez de visitar o país, deixando neste caso o veículo de ser um meio de mobilidade por excelência.
Igualmente os profissionais que utilizam veículos automóveis no seu trabalho diário (sobretudo os que percorrem longas distâncias) não podem estar sujeitos às mencionadas limitações.
Estes parecem-me, à luz da situação atual, os principais fatores a ter em atenção para um crescimento rápido do parque automóvel de veículos elétricos, pois outros também deverão ser tidos em conta como por exemplo o esforço financeiro das empresas e particulares para efetuar a troca dos atuais veículos a combustão para veículos elétricos.
Por último, importa referir que os países não dispõem atualmente de energia elétrica suficiente para abastecimento de um parque automóvel exclusivamente elétrico. Tendo em atenção tal afirmação foram já estabelecidas as metas de aumento do parque de veículos elétricos de forma faseada e diferentes de continente para continente e de país para país, apontando um estudo recente para uma transição para os veículos totalmente elétricos passe em primeiro lugar (durante cerca de 20 anos) pela comercialização de vários modelos híbridos, isto é, veículos automóveis movidos a combustíveis fósseis e também com um motor elétrico de suporte – por exemplo, gasolina+elétrico, atualmente o mais comum dos híbridos, ou gasóleo+elétrico.
Apoios à eletrificação da frota automóvel
Estamos certos de que o apoio dos Estados à aquisição de veículos elétricos irá ser incrementado no próximo ano. Cremos que as pessoas estão cada vez mais a adquirir cada vez mais consciência ambiental (nomeadamente os mais jovens). Os construtores de automóveis também já tomaram consciência e tomaram decisões no sentido do aumento da produção de veículos elétricos, podendo já hoje encontrar-se veículos 100% de várias marcas.
Com as medidas anunciadas para a recuperação que estão a ser implementadas na Europa, nomeadamente de apoio à tecnologia “verde”, tais medidas deverão garantir apoios aos fabricantes para a produção de veículos amigos do ambiente, isto é veículos de emissões “zero”, permitindo-nos aqui citar o exemplo da Alemanha, cujo Governo já anunciou apoios ao setor automóvel, nomeadamente para a produção de veículos elétricos.
Pelo que nos é dado a conhecer vários países da Europa irão receber apoios da União Europeia destinado à descarbonização e à modernização dos seus parques automóveis para veículos de “emissões zero”, a instalação de infraestruturas de carregamento de veículos e também o aumento da digitalização dos mesmos com sistemas que otimizem a sua utilização, sendo óbvio que Portugal irá receber apoios comunitários nesta matéria, pelo que entendemos que a partir do próximo ano existirão certamente novos apoios à aquisição de veículos elétricos e à sua utilização, os quais poderão ser atribuídos através de incentivos financeiros aquando da aquisição, quer ainda por via fiscal.
Entendemos que as empresas de rent-a-car em Portugal também serão beneficiárias de tais apoios, à semelhança do modelo que se está a elaborar em outros países europeus, acrescentando-se ainda que a utilização de veículos de rent-a-car é seguramente o modo mais racional da utilização de veículos automóveis, pois a sua utilização é efetuada em função das necessidades das pessoas e empresas.
Crescente utilização de veículos de emissões “zero”
Em Portugal, nomeadamente na cidade de Lisboa, com especial destaque para o centro e a zona histórica da cidade têm vindo a ser realizadas obras de requalificação e “humanização” da cidade, que têm criado restrições da circulação automóvel, as quais no entanto não deverão nunca impedir a circulação total de veículos, pois não devemos esquecer que Portugal e em particular Lisboa possuem uma população residente de idade elevada, sobretudo nas áreas da cidade referidas.
No que respeita à circulação de veículos a combustão nos centros das cidades, poderão aumentar nos próximos anos, mas tal dependerá, sem dúvida, do aumento da circulação de veículos elétricos, ou de outras energias de emissões “zero”, da oferta de transportes públicos, dos meios de mobilidade leves (bicicletas, trotinetes e afins) e das próprias vias para pedestres.
Transporte de mercadorias
O transporte de mercadorias em veículos elétricos, é atualmente muito diminuto, limitando-se a pequenos veículos de distribuição. Estamos certos, no entanto, que a eletrificação de veículos chegará aos veículos pesados de mercadorias, devendo aqui chamar-se a atenção para o facto de que os veículos de “emissões zero” não se limitarem apenas a veículos elétricos, pois também os veículos movidos a hidrogénio são veículos de “emissões zero” e, como tal, amigos do ambiente.
A este propósito não deveremos esquecer a aposta feita nos últimos tempos por Portugal na produção de hidrogénio em substituição da energia produzida a partir de fontes energéticas “não limpas”.
Em síntese, os veículos elétricos não serão uma opção para substituição de todo o parque automóvel nos próximos anos a nível mundial, mas o seu crescimento será uma realidade crescente nos próximos anos, sobretudo nas cidades, as quais irão estabelecer de forma sucessiva restrições à circulação de veículos movidos exclusivamente a combustão, isto é, movidos com combustíveis fosseis.
1- Autonomia dos veículos
2- Número de postos de carregamento
3- Tempo de carregamento do veículo (atualmente cerca de 45 minutos para uma carga de 70% da bateria do veículo).
É, no entanto, muito importante para o cliente de rent-a-car, que aluga um veículo para deslocações imediatas, que o sistema de mobilidade que está a utilizar não comporte as limitações acima referidas. Por exemplo para um turista que pretende visitar vários locais do nosso país e está limitado a um período de permanência no país, não poderá estar limitado de forma drástica no que respeita ao abastecimento/carregamento do veículo, caso contrário o referido turista passará o tempo a “carregar” o veículo em vez de visitar o país, deixando neste caso o veículo de ser um meio de mobilidade por excelência.
Igualmente os profissionais que utilizam veículos automóveis no seu trabalho diário (sobretudo os que percorrem longas distâncias) não podem estar sujeitos às mencionadas limitações.
Estes parecem-me, à luz da situação atual, os principais fatores a ter em atenção para um crescimento rápido do parque automóvel de veículos elétricos, pois outros também deverão ser tidos em conta como por exemplo o esforço financeiro das empresas e particulares para efetuar a troca dos atuais veículos a combustão para veículos elétricos.
Por último, importa referir que os países não dispõem atualmente de energia elétrica suficiente para abastecimento de um parque automóvel exclusivamente elétrico. Tendo em atenção tal afirmação foram já estabelecidas as metas de aumento do parque de veículos elétricos de forma faseada e diferentes de continente para continente e de país para país, apontando um estudo recente para uma transição para os veículos totalmente elétricos passe em primeiro lugar (durante cerca de 20 anos) pela comercialização de vários modelos híbridos, isto é, veículos automóveis movidos a combustíveis fósseis e também com um motor elétrico de suporte – por exemplo, gasolina+elétrico, atualmente o mais comum dos híbridos, ou gasóleo+elétrico.
Apoios à eletrificação da frota automóvel
Estamos certos de que o apoio dos Estados à aquisição de veículos elétricos irá ser incrementado no próximo ano. Cremos que as pessoas estão cada vez mais a adquirir cada vez mais consciência ambiental (nomeadamente os mais jovens). Os construtores de automóveis também já tomaram consciência e tomaram decisões no sentido do aumento da produção de veículos elétricos, podendo já hoje encontrar-se veículos 100% de várias marcas.
Com as medidas anunciadas para a recuperação que estão a ser implementadas na Europa, nomeadamente de apoio à tecnologia “verde”, tais medidas deverão garantir apoios aos fabricantes para a produção de veículos amigos do ambiente, isto é veículos de emissões “zero”, permitindo-nos aqui citar o exemplo da Alemanha, cujo Governo já anunciou apoios ao setor automóvel, nomeadamente para a produção de veículos elétricos.
Pelo que nos é dado a conhecer vários países da Europa irão receber apoios da União Europeia destinado à descarbonização e à modernização dos seus parques automóveis para veículos de “emissões zero”, a instalação de infraestruturas de carregamento de veículos e também o aumento da digitalização dos mesmos com sistemas que otimizem a sua utilização, sendo óbvio que Portugal irá receber apoios comunitários nesta matéria, pelo que entendemos que a partir do próximo ano existirão certamente novos apoios à aquisição de veículos elétricos e à sua utilização, os quais poderão ser atribuídos através de incentivos financeiros aquando da aquisição, quer ainda por via fiscal.
Entendemos que as empresas de rent-a-car em Portugal também serão beneficiárias de tais apoios, à semelhança do modelo que se está a elaborar em outros países europeus, acrescentando-se ainda que a utilização de veículos de rent-a-car é seguramente o modo mais racional da utilização de veículos automóveis, pois a sua utilização é efetuada em função das necessidades das pessoas e empresas.
Crescente utilização de veículos de emissões “zero”
Em Portugal, nomeadamente na cidade de Lisboa, com especial destaque para o centro e a zona histórica da cidade têm vindo a ser realizadas obras de requalificação e “humanização” da cidade, que têm criado restrições da circulação automóvel, as quais no entanto não deverão nunca impedir a circulação total de veículos, pois não devemos esquecer que Portugal e em particular Lisboa possuem uma população residente de idade elevada, sobretudo nas áreas da cidade referidas.
No que respeita à circulação de veículos a combustão nos centros das cidades, poderão aumentar nos próximos anos, mas tal dependerá, sem dúvida, do aumento da circulação de veículos elétricos, ou de outras energias de emissões “zero”, da oferta de transportes públicos, dos meios de mobilidade leves (bicicletas, trotinetes e afins) e das próprias vias para pedestres.
Transporte de mercadorias
O transporte de mercadorias em veículos elétricos, é atualmente muito diminuto, limitando-se a pequenos veículos de distribuição. Estamos certos, no entanto, que a eletrificação de veículos chegará aos veículos pesados de mercadorias, devendo aqui chamar-se a atenção para o facto de que os veículos de “emissões zero” não se limitarem apenas a veículos elétricos, pois também os veículos movidos a hidrogénio são veículos de “emissões zero” e, como tal, amigos do ambiente.
A este propósito não deveremos esquecer a aposta feita nos últimos tempos por Portugal na produção de hidrogénio em substituição da energia produzida a partir de fontes energéticas “não limpas”.
Em síntese, os veículos elétricos não serão uma opção para substituição de todo o parque automóvel nos próximos anos a nível mundial, mas o seu crescimento será uma realidade crescente nos próximos anos, sobretudo nas cidades, as quais irão estabelecer de forma sucessiva restrições à circulação de veículos movidos exclusivamente a combustão, isto é, movidos com combustíveis fosseis.
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