“Nissan EV36Zero” é o mais ambicioso projeto da marca;

Visita guiada à “casa” do Qashqai em Sunderland
“Nissan EV36Zero” é o mais ambicioso projeto da marca
Novo Qashqai pronto a sair da linha de produção.
A Nissan aproveitou, durante uma visita da imprensa guiada ao seu centro de produção em Sunderland, para divulgar o “EV36Zero”, um projeto para o futuro da produção automóvel, que reúne a produção de veículos elétricos e a produção de baterias, alimentadas por energias renováveis.

“Estamos muito orgulhos por chamar à fábrica de Sunderland a ‘casa do Qashqai’,  pois  o primeiro Qashqai foi produzido aqui no final de 2006, antes do seu lançamento em 2007. A sua popularidade permitiu que Sunderland atingisse níveis recorde, com a fábrica a registar os volumes anuais mais elevados da história da indústria automóvel do Reino Unido, fazendo com que o Qashqai se tornasse o automóvel construído no Reino Unido a atingir mais rapidamente quatro milhões de unidades de produção”, referiu Adam Pennick, vice-presidente da Produção no Reino Unido da Nissan.
Esta unidade, que passou também a ser a “casa” do JUKE e LEAF (agora descontinuado), onde a produção assegura seis mil postos de trabalho nas equipas da Nissan no Reino Unido (incluio Centro de Design da Nissan em Cranfield, Bedforshire, a equipa de produção em Sunderland, o centro de peças em Lutterworth e a equipa de vendas e marketing em Rickmansworth). Lateralmente, existem mais de 30 mil postos de trabalho na cadeia de fornecimento do Reino Unido. Que interessante seria termos algo similar em Portugal!
O “Nissan EV36Zero” é o mais ambicioso projeto da marca para o futuro do setor automóvel pois combina a produção de veículos elétricos e de baterias com energias renováveis (a fábrica utiliza aerogeradores que cobrem 20% das necessidades da fábrica e que também permite injetar na rede pública), com o objetivo de atingir uma condução e produção com zero emissões, que pretendem replicar no futuro das fábricas em toda a área de produção global da Nissan, como parte do “The Arc”, o novo plano de negócios global da marca.
Os planos da marca passam por a gama de automóveis de passageiros da Nissan na Europa seja 100% elétrica até 2030. O projeto também tem por base a visão “Ambition 2030” da Nissan, que visa tornar-se uma “empresa verdadeiramente sustentável, conduzindo a um mundo mais limpo, mais seguro e mais inclusivo”.
A Nissan teve com esta visita à fábrica de Sunderland vários objetivos que cumpriu escrupulosamente: mostrar a quarta geração do Qasqhai, o processo de fabrico avançado que possuem, ação de comunicação, capacidade de inovação, maior proximidade do cliente à marca e divulgação do futuro da marca

O novo Qashqai

Com a terceira geração em 2022, o Qashqai passou a estar disponível com o e-POWER – o grupo motopropulsor eletrificado único em que as rodas só são acionadas diretamente pelo motor elétrico e tendo por base um motor a combustão
Para esta ultima geração a marca quis manter o ADN do modelo, diminuir os seus pontos menos conseguidos, melhorar os seus pontos fortes, acrescentar  mais tecnologia intuitiva e inteligente (exemplo, o sistema que “transparece” o carro - Invisiblehoodview  - e que nos permite olhar para um monitor e ver os movimentos das rodas e a proximidade a obstáculos, por exemplo, passeios ou objetos no solo) ou, para um refinamento de todo o interior para um patamar mais premium – em novos painéis, para-choques, cores de pintura, características interiores, materiais e acabamentos mas também tecnológicos como sistemas avançados de assistência ao condutor atualizados e a adição do Google integrado como parte do sistema de info-entretenimento Nissan Connect, mas também com a sua V-Motion grelha desenhada por IA para conseguir aquele desenho visualmente apelativo e funcionalmente otimizado para refrigerar o motor, juntamente com a nova assinatura full led, novos faróis, visão frontal 200º
Foi também mencionado por Pennick que “estamos orgulhosos por entregar novas versões do Qashqai e do JUKE aos nossos clientes, enquanto preparamos a nossa fábrica para que se torne totalmente elétrica, como parte do nosso inovador projeto ‘EV36Zero’”.

A fábrica

A Nissan tem como objetivo tornar-se uma empresa verdadeiramente sustentável, rumo a um mundo mais limpo, mais seguro e mais inclusivo. A sustentabilidade está no cerne da visão a longo prazo da Nissan com o Nissan Ambition 2030 - ser neutra em carbono em todo o ciclo de vida dos seus produtos e operações até 2050.
Para cumprir o objetivo da marca em ser sustentável a marca dotou a mesma de painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas que garantem até 20% de abastecimento da fabrica (estão atualmente a incrementar devido ao upgrade nas novas pás das mesmas) e que, juntamente com a tecnologia para construção dos vários modelos,  têm um investimento de cerca de 35 milhões de euros, a adicionar ao investimento total da Nissan no Reino Unido de sete mil milhões de euros.
A percorreu cada uma das unidades da fábrica. Na “Battery Assembly”, a Nissan possui cerca de 73 colaboradores e uma capacidade de construção de 600 baterias dia. Já na “Paint zone” e sabendo que o Qashqai leva 3500 pontos soldadura por robots, acedemos à mesma depois de sermos limpos por um “airshower” para retirar poeiras – mesmo o processo de pintura da marca é depois hermeticamente fechado, numa unidade que possui CINCO andares e é ambientalmente eficiente e 100% autónoma, com  735 empregados, onde até as pequenas partículas resultantes da pintura e suspensas no ar são reaproveitadas para criar tinta para o setor da construção.
Nota: Um Qashqai absorve sempre cinco litros de tinta num processo que demora oito horas, desde preparação até testes finais de qualidade.
Outro dos exemplos passa pela inovação em dotar a fábrica de soluções ergonómicas, acústicas e outras, para melhorar a produtividade e desenvolvimento de ferramentas digitais para controlar a fábrica naquilo que chamam digital manufacturing , com uma equipa só preparada para responder a esse desafio.
Por exemplo o processo de construção do Qashqai envolve 1052 robots (100%  automatizado), só na prensagem dos 41 painéis (35 no Juke) de cinco etapas envolve 449 pessoas, sendo que, como são em alumínio  e pesam  menos 60kg, melhoram as emissões e eficiência do carro. O processo de logística faz com que o alumínio no processo just-in-time chegue até 4 horas antes à fábrica e cerca de 35% do painel produzido é “lixo” (sobrante)que  depois é novamente reciclado.
No final da visita fiquei, não com a noção, mas com a certeza de que cada Qasqhai é exatamente igual ao anterior, no seu processo de fabrico, pois quase tudo é robotizado (e, quando manual, é controlado por tecnologia que depois passa pelo escrutínio da equipa de controlo de qualidade) e onde errar não é possível.
Diria que é difícil a alguém esquecer-se de colocar um parafuso, ou apertar o mesmo de modo diferente, pois o sistema não o permite. Daí a minha frase: hoje olho para um Qashqai de outro modo – “factory of the future”.





Jorge Farromba jorgefarromba@gmail.com, 06/06/2024
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