Seguros de vida quebram 2300 milhões de euros;

Crise pandémica atinge poupanças dos portugueses
Seguros de vida quebram 2300 milhões de euros
A produção de seguros de vida baixou quase 2300 milhões de euros entre janeiro e setembro de 2020 face ao período homólogo de 2019. O maior contributo para esta quebra é dada pela produção de Planos de Poupança Reforma (PPR), que diminui de 2191 milhões para 521 milhões de euros, representando uma quebra de 76,2%.
Esta quebra sem precedentes do ramo Vida deve-se essencialmente à crise pandémica, levando um elevado número de cidadãos e resgatar as poupanças de PPR, a terminar os contratos vencidos, e a não fazer novas aplicações.
Ao contrário do que acontece com o ramo Vida, onde se regista uma quebra global de 44,8%. o impacto da crise não foi tão imediato nos ramos Não Vida. De acordo com os dados da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, os ramos Não Vida tiveram um crescimento de 4,8% entre janeiro e setembro de 2020.
No entanto, de acordo com a Associação Portuguesa de Seguradores, os ramos Não Vida também estão a sofrer os efeitos da crise, sendo esperada uma quebra nos próximos meses.
Até agora a tendência foi positiva no seguro automóvel com uma produção de 1406 milhões de euros, nos seguros de Saúde, que tiveram receitas de 737 milhões de euros, e nos acidentes de trabalho, com uma produção de 705 milhões de euros. O ramo de acidentes de trabalho terá beneficiado de um aumento de preços tendo em conta que o custo médio com sinistros baixou de 81,8% para 73,2% dos prémios cobrados aos empregadores. Ma, as perspetivas são agora desfavoráveis, com o aumento do desemprego e as situações de “lay-off” e  redução do tempo de trabalho.
 
Tendência de concentração 
nos ramos Não Vida
 
Nos ramos Não Vida as três maiores seguradoras controlam mais de 50% da produção de seguros. Em 2019 todas cresceram acima da taxa média do mercado, reforçando a respetiva quota. A maior seguradora continua a ser a Fidelidade. Em segundo lugar está a Seguradoras Unidas – atual Generali Seguros – que integra as marcas Tranquilidade, Açoreana e Logo, após a compra efetuada pelo grupo italiano no início do ano.
No  ranking das 10 maiores seguradoras dos ramos Não Vida, os dados da ASF confirmam uma queda acentuada da Liberty Seguros, que foi ultrapassada no ano passado pela Zurich e caiu para a 7.ª posição. Em 2019 a quota de mercado da Liberty diminuiu de 6,0% para 5,3%.
A evolução negativa da Liberty Seguros inverteu um ciclo positivo de crescimento sustentado desde 2002, após a compra da Winterthur por parte da mútua norte-americana.
Em 2017, a Liberty Seguros tinha sido a seguradora com maior crescimento do mercado, tendo ultrapassado a Ocidental Seguros, e conquistado o quarto lugar entre as maiores seguradoras dos ramos Não Vida.
A evolução desfavorável registada a partir de 2018 estará ligada à reestruturação do grupo Liberty na Europa e à substituição de José António de Sousa por Tom McIlduff na função de CEO da Liberty Seguros.
Entretanto, foi há dias anunciada a saída de Tom McIlduff do grupo Liberty, sendo o gestor irlandês substituído por Juan Miguel Estallo.
No ranking das 10 maiores seguradoras dos ramos Não Vida há apenas uma seguradora de capitais portugueses. Trata-se da CA Seguros. A companhia pertencente ao grupo Crédito Agrícola teve em 2019 um desempenho positivo com um crescimento de 11,8%. A seguir à Zurich, foi a seguradora com maior aumento de quota de mercado.
Fora do ranking das 10 maiores há exemplos de seguradoras em forte crescimento. É o caso da Aegon, com um aumento de 73,1% na produção, e da Caravela, que cresceu 28,5% em 2019 e ocupa o 14.º lugar do mercado.

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