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As respostas do setor imobiliário ao envelhecimento da população

Num mundo em acelerado envelhecimento, as pessoas mais velhas estão agora mais bem informadas e preparadas, pretendendo continuar a ser consumidoras ativas e ouvidas, pelo que o mercado se deve preparar para dar respostas adequadas
O envelhecimento da população é um efeito irreversível da estrutura da nossa sociedade atual, devendo ser encarado como um resultado das diversas políticas desenvolvidas nas últimas décadas. Ainda assim, esta alteração etária acelerada na nossa sociedade deve ser considerada, do ponto de vista empresarial, como uma enorme oportunidade de desenvolvimento de negócios, pois é um mercado que se apresenta já com números interessantes, e em crescendo.
No entanto, esses negócios não podem ser apenas desenhados para tratar as pessoas mais velhas como potenciais consumidores de produtos e serviços que lhes tragam, simplesmente, uma vida mais confortável. Nos dias de hoje, qualquer que seja a sua idade, as pessoas pretendem muito mais do que isso. Todos, sem exceção - incluindo os mais velhos -, pretendem continuar a ser valorizados, a ter um papel ativo na sociedade, e a ter uma qualidade de vida que lhes permita continuar a viver bem, de forma saudável e confortável. Pretendem, também, continuar a acreditar em si próprios e a fazerem sentir aos outros que ainda são úteis. Por isso, os produtos que forem colocados no mercado para estes consumidores devem ter em conta este ângulo mais abrangente.
Nesse sentido, as pessoas mais velhas, por estarem hoje muito mais bem informadas e por estarem também mais bem preparadas e habilitadas para tomarem decisões conscientes, pretendem continuar a ser consumidoras ativas e ouvidas, sendo primordial que o mercado, como um todo, perceba isso e dê respostas adequadas às suas reais e diversas necessidades.
O mercado imobiliário não será uma exceção.
Este setor terá, assim, de responder de forma integrada, nos seus mais diversos ângulos, nas suas mais variadas vertentes e modelos, a esta crescente faixa de população. É, deste modo, obrigatório que apresente soluções que tenham em conta a adequabilidade dos lugares onde estas pessoas habitam, a conformidade dos locais que frequentam, mas também apresentando respostas a modelos adaptados à sua situação financeira e ambiente familiar. A resposta às necessidades de todos esses consumidores – que são também, muitos deles, proprietários – deve ser, assim, consentânea com as suas necessidades e anseios.
Por essa via, o mercado imobiliário deve encontrar soluções para este crescente mercado, devendo liderar a mudança, juntamente com as indústrias financeiras, de cuidados de saúde e seguradora.
Como exemplo, o mercado imobiliário deve procurar soluções arquitetónicas que respeitem um design inclusivo, adaptando as necessidades destas pessoas aos locais que habitam e que frequentam, sejam casas próprias, lares ou residências seniores, mas também hotéis, restaurantes, lojas, ginásios, centros comerciais, edifícios públicos ou escritórios. É, por isso, importante que se criem condições de habitabilidade adequadas a esta faixa de população, sabendo que a mesma tem poder de compra, está devidamente informada e é potencialmente consumidora de tecnologia e de novos e apropriados modelos de produtos e serviços.
Tomando outro exemplo, o mercado imobiliário deve, também, ter em conta que estas pessoas mais velhas terão a sua casa em “top of mind” como referência ao principal lugar onde pretendem habitar até ao final dos seus dias, resultando com isso na melhor adequação dos respetivos espaços e na procura de soluções financeiras que tornem esse cenário numa verdadeira alternativa e, até, como escolha principal.
Desta forma, e tomando as corretas decisões, os seniores terão como prioridade o seu conforto, para que possam manter uma vida sã, estável e ativa, tornando a sua casa o núcleo prioritário para o seu bem-estar.
É, pois, obrigação do mercado imobiliário - e de outros, em conjunto -perceber como se deve dar a melhor resposta a todos estes consumidores, procurando modelos e produtos criativos e devidamente adaptados a este importante mercado, que é cada vez mais exigente.
Pedro Almeida Cruz CEO e Fundador da Empathia, 06/12/2024
 
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