Há dificuldade no recrutamento e manutenção de talento em tecnologia;

Miguel Garcia, managing director da New Work, admite
Há dificuldade no recrutamento e manutenção de talento em tecnologia
 O talento em tecnologia português é altamente valorizado em todo o mundo, defende Miguel Garcia.
O recrutamento e a manutenção de talento em tecnologia é um dos maiores problemas que se coloca na atualidade. A que acresce o facto de muitos milhares de trabalhadores estarem em vias de sair do mercado de trabalho. A New Work tem como principal objetivo captar e reter o talento em tecnologias, contando com a colaboração de outros escritórios fora do país – referiu à Vida Económica Miguel Garcia, managing director da New Work SE em Portugal e Espanha, empresa de origem alemã da área das tecnologias da informação.


Vida Económica – Qual a atual realidade do mercado em que se integra a New Work, em Portugal?
Miguel Garcia –
Em Portugal, o mercado principal da New Work é o do talento em tecnologia, que é muito escasso e altamente desejado no mundo inteiro. Mais particularmente, o talento em tecnologia português é altamente valorizado no mundo todo. Daí que a nossa realidade em Portugal seja de alta competitividade pelo acesso e retenção de talento.Olhamos para esta realidade como uma oportunidade: não só de encontrarmos novas forma de identificar talento e de o trazer para a nossa companhia, com o nosso programa de Academia Júnior, o trabalho remoto e o foco em novos mercados e locais para o recrutamento, mas também para escalar Portugal e o Porto, em particular, como um hub tecnológico, tornando-o mais atrativo para o talento internacional e promovendo-o junto das comunidades e grupos de tecnologia com os quais interagimos.

VE – Quais os principais problemas que se colocam à vossa atividade?
MG –
O recrutamento e a manutenção do talento em tecnologia têm sido a nossa maior preocupação. Claro que, numa altura em que as condições económicas se degradaram de forma tão significativa e falamos de recessão na Europa, a atividade dos nossos clientes, principalmente no segmento empresarial (B2B), é um foco da nossa atenção e até preocupação. Apesar de a nossa estratégia estar baseada na inevitável evolução demográfica, milhões de trabalhadores vão sair do mercado de trabalho nos próximos cinco anos devido ao envelhecimento populacional. Isto cria uma “crise” de escassez de talento inevitável.

VE – Não existe já uma forte concorrência no setor?
MG –
Sim, existe concorrência, no entanto, estamos totalmente convencidos de que a New Work, através das suas marcas e produtos, reúne um conjunto de fatores críticos de sucesso como nenhum outro competidor. Por um lado, a XING é uma rede social profissional e guia de carreira e conta com os CV dos milhões de utilizadores e a confiança destes para lhes recomendar quais os melhores passos a dar a nível profissional. A Onlyfyby XING,o lado B2B companhia, conta, entre os seus clientes, com os players mais relevantes do mercado alemão, que contam connosco para encontrar o talento que tanto necessitam. Já a kununu é, neste momento, a maior base de dados salariais da Europa, contando, igualmente, com milhões de insights sobre a cultura empresarial e de como é, de facto, trabalhar em milhares de empresas na Alemanha e na Áustria. Com esta base e com recurso a Data Engineering e AI, estamos plenamente convictos de que temos uma vantagem significativa sobre toda a concorrência e de que esta vantagem é duradoura e sustentável.

Sem foco comercial no mercado nacional

VE – Como opera a New Work no mercado nacional?
MG –
Apesar de as nossas plataformas estarem completamente disponíveis no mercado nacional, a New Work não tem um foco comercial no mercado nacional. Em Portugal, estamos, sobretudo, interessados no talento em tecnologia, que é muito forte e com um grande fit cultural com a nossa organização: foco na qualidade, compromisso com a entrega e uma noção de propósito que nos motiva e nos leva para a frente e a ser melhores. Assim, temos, no Porto, um escritório com cerca de 150 engenheiros, entre outras funções, que desenvolvem os nossos produtos, todos os dias, e em estreita colaboração com os seus colegas em Hamburgo, Viena, Munique, Berlim, Valência e Barcelona.

VE – Qual a vossa estratégia para o futuro próximo?
MG –
A nossa estratégia é baseada na inevitável evolução demográfica, uma vez que, nos próximos anos, milhões de trabalhadores sairão do mercado de trabalho devido ao envelhecimento populacional. Como tal, a New Work quer ser o parceiro número um no recrutamento e, assim, ajudar a colmatar este fenómeno e ajudar os profissionais a encontrar as posições e as empresas que melhor correspondem ao que desejam num empregador. É esta a nossa estratégia, por isso, mesmo que enfrentemos algumas contrariedades, estamos perfeitamente convencidos e focados na execução desta estratégia para continuarmos a nossa missão “For a better working life”.
Para tal, contamos com as nossas marcas e os nossos diferentes produtos para nos diferenciarmos dos nossos concorrentes: conhecemos os nossos utilizadores e os nossos clientes empresariais muito melhor do que qualquer concorrente, e, com essa vantagem estamos, perfeitamente convencidos que podemos ser o melhor companheiro e conselheiro de carreira, recomendando aos profissionais as organizações que melhor correspondem às suas expectativas e também ajudando as empresas a identificarem os profissionais mais adaptados às suas necessidades e características. Queremos ser uma espécie de “match-maker”, ajudando as pessoas a encontrar o seu emprego de sonho e as empresas a encontrar o seu colaborador do ano, todos os anos, para cada posição que necessitam.

VE – Tem sido fácil encontrar profissionais qualificados?
MG –
Não tem sido exatamente fácil, mas graças às nossas equipas de recrutamento e a um envolvimento de toda a organização, temos conseguido encontrar o talento que necessitamos. Ao longo do tempo, temos procurado dar a conhecer a nossa missão, os nossos produtos e, sobretudo, as práticas de trabalho que seguimos e que nos permite desenvolvermos uma engenharia de alta qualidade, bem como o desenvolvimento das nossas pessoas, que têm a possibilidade de se focarem em áreas altamente relevantes na indústria. Acreditamos que é também este foco e empenho que tem contribuído para os resultados que temos alcançado e serão a base para o nosso trabalho futuro.
13/07/2023
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