Mostra fotográfica de João Lobo traz à colação a defesa do património pré-colonial;

“ÍNDICE itacoatiara do ingá” decorre até 30 de setembro no Museu Nacional de História Natural e da Ciência
Mostra fotográfica de João Lobo traz à colação a defesa do património pré-colonial
A apresentação das três séries de fotografias que compõe  a mostra   ÍNDICE itacoatiara do ingá de João Lobo (Brejo da Cruz, 1958), inaugurada esta semana a 1 de setembro no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, integra um projeto alargado de investigação sobre a série monumental de baixos relevos descobertos nos anos 40 no estado brasileiro do Paraíba. A investigação, reflexão e o registo documental em vários suportes realizado pelo artista visam promover a discussão e valorização deste património, que apesar do reconhecimento pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Natural (IPHAN) do Brasil em 1944, continua a não beneficiar de um estudo sistemático pela Academia, ou beneficiar da devida proteção pelo estado.
Partindo do monumento ITACOATIARA ou “Pedra do Ingá”, cuja superfície possui gravuras pré-históricas, o artista paraíbano João Lobo fotografou as formas esculpidas no monolítico numa perceção puramente artística de ÍNDICES pré-históricos. Dessa forma, face ao convite do Museu Nacional de História Natural e da Ciência de Portugal para celebrar com uma exposição artística os duzentos anos de independência do Brasil, fotógrafo aceitou a proposta e teve como finalidade expor uma produção artística sobre as inscrições rupestres brasileiras. Segundo João Lobo “Pretendemos com esta exposição promover reflexões entre os campos da arte, património e fotografia. Os recursos arqueológicos são reconhecidos pelo valor histórico, como fonte de pesquisa e lugar de visitação. Para registrar esses recursos, a fotografia é muitas vezes escolhida devido ao seu poder de documentar e preservar o património do esquecimento. As imagens dessa exposição abrigam, à maneira do artista, o passado como subterfúgio de nosso efémero presente”.
Aproveitando a ocasião do Bicentenário da independência, João Lobo traz à colação a defesa do património pré-colonial, sobrepondo um bem cultural cuja existência antecede a dominação portuguesa e a constituição do estado  brasileiro às questões do quotidiano. Neste exposição, o fotógrafo e discente de Doutoramento da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, conta com a curadoria de Sofia Marçal. As três dezenas de fotografias, em suportes diversos, estarão patentes ao público, na Sala Azul do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, até ao próximo dia 30 de setembro.
Susana Almeida, 01/09/2022
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